‘Nunca antes o Brasil esteve tão perto de vencer um Oscar’, avalia crítico de cinema

‘Nunca antes o Brasil esteve tão perto de vencer um Oscar’, avalia crítico de cinema

“Essa é a melhor chance do Brasil vencer um Oscar de todos os tempos. Nunca antes o Brasil esteve tão perto de disputar e, possivelmente, nunca antes o Brasil esteve tão perto de vencer um Oscar”, comenta Dalenogare.

A 97ª edição do Oscar chega, neste domingo (2), com uma das temporadas de premiações mais imprevisíveis dos últimos tempos. Diferente de anos anteriores, quando havia um favorito claro desde o início, a corrida deste ano teve múltiplos candidatos ao longo dos festivais e premiações de sindicatos.

Fernanda Torres: a melhor chance do Brasil no Oscar?

Fernanda Torres em ‘Ainda estou aqui’ (2024) — Foto: Divulgação

Se há uma categoria que promete emoção, é a de Melhor Atriz. Fernanda Torres chega ao Oscar como uma das concorrentes mais comentadas, após vencer o Globo de Ouro no início de janeiro e ganhar grande visibilidade nos Estados Unidos.

“A Fernanda fez uma campanha extraordinária”, destaca Dalenogare. “[Ela] participou de várias sessões, o filme é muito bom, e quem assiste Ainda Estou Aqui fica envolvido com a atuação da Fernanda. Então ela chega por méritos”, diz o especialista.

A atuação de Fernanda em Ainda Estou Aqui conquistou críticos e acadêmicos, mas a disputa segue acirrada. Entre as principais adversárias da brasileira, estão Demi Moore (A Substância), que, de acordo com o crítico, “tem um discurso forte de carreira” e dá “mais visibilidade para o gênero que acaba sendo esquecido nas premiações, que é o terror”. Segundo o crítico de cinema, esses pontos favorecem a estadunidense na disputa.

Outra grande concorrente é Mikey Madison (Anora), que venceu o BAFTA, da Academia Britânica. No entanto, isso não tira a brasileira da corrida pelo prêmio.

“A Fernanda tem chance porque nessa reta final a visibilidade para Ainda Estou Aqui foi muito grande”, opina. “Ela foi indicada, e só de ser indicada, isso já é histórico, mas chegar com chances de vitória, ela vai chegar”, afirma Dalenogare, um dos votantes da Critics Choice Awards.

Crítico de cinema Waldemar Dalenogare — Foto: Reprodução/ RBS TV

Contudo, Dalenogare lembra que tudo pode acontecer:

“Surpresas acontecem. No ano passado, Lily Gladstone chegou como uma super favorita e perdeu o Oscar de melhor atriz”, ressalta.

Incerteza sobre Melhor Filme e disputa com Emilia Pérez

De acordo com o crítico Waldemar Dalenogare, a definição do grande favorito ao Oscar demorou mais do que o habitual. “Anora”, dirigido por Sean Baker, consolidou-se na reta final como o principal concorrente, especialmente após vencer os prêmios do Sindicato dos Diretores e dos Produtores. No entanto, Conclave, que triunfou no BAFTA e no prêmio de elenco do Sindicato dos Atores, também chega forte.

O principal concorrente de Ainda Estou Aqui na categoria de Melhor Filme Internacional é Emilia Pérez, que recebeu 13 indicações. Para Dalenogare, a visibilidade tardia da produção pode ser um fator determinante na disputa.

A indicação, tanto em Melhor Filme quanto em Filme Internacional, é histórica para o Brasil, que nunca teve uma produção reconhecida nas duas categorias simultaneamente. No entanto, como observa o crítico, a produção de Walter Salles não teve o mesmo percurso de Parasita (2019), que dominou premiações antes de conquistar o Oscar.

“É um filme que desponta como um grande concorrente para filme internacional e, na minha leitura, a visibilidade que o filme ganha pós-Globo de Ouro coloca como prioridade para que os membros da academia fossem atrás do filme, dessem uma chance para Ainda Estou Aqui”, explica Dalenogare.

O impacto de “Ainda Estou Aqui” para o cinema brasileiro

O elenco do filme ‘Ainda estou aqui’ — Foto: Divulgação/Sony Classic Pictures

Independentemente dos resultados, a presença de Ainda Estou Aqui no Oscar já é um marco para o cinema nacional. Segundo Dalenogare, o filme representa uma reconexão do público brasileiro com o cinema, evidenciada pelo sucesso de bilheteria e pelo engajamento nas redes sociais.

“A partir de Ainda Estou Aqui, [o público] busca novamente ir ao cinema, se interessa, e o cinema brasileiro vive um período excelente”, analisa.

Além disso, a indicação destaca a importância de ampliar a distribuição de filmes brasileiros no exterior.

“Ainda Estou Aqui vem sendo um filme de enorme repercussão nas redes sociais, ele é um filme que as pessoas assistem, se envolvem, querem torcer e querem comentar com amigos e familiares”, diz Dalenogare.

Walter Salles, que já abordou crises político-sociais do Brasil em longas como Terra Estrangeira e Central do Brasil, fecha uma espécie de trilogia com Ainda Estou Aqui, abordando os traumas da ditadura de forma sensível.

Walter Salles, diretor de ‘Ainda Estou Aqui’ — Foto: Getty Images/BBC

“Ainda Estou Aqui é uma análise política de um período da história do Brasil, quando a gente tem diferentes análises em diferentes períodos, a gente passa pela questão da ditadura e o cinema é usado como intermediário para discutir a ditadura, para colocar temas em pauta na sociedade novamente”, diz.

De acordo com Dalenogare, a cena com Fernanda Montenegro coroa “com um fechamento muito bonito”:

“A aparição da Fernanda Montenegro sem falar nada, mas aquela aparição, o olhar dela acaba sendo extremamente impactante, deixa aquela imagem do filme que emociona, do filme que ele acaba realmente sendo um motivo de orgulho”, destaca o crítico.

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