A Polícia Civil confirmou, na sexta-feira (20), que o mesmo carro entrou duas vezes na residência. Trata-se de um Fox. Contudo, não foi possível identificar a placa. Assim, não se sabe quem é o proprietário.
O vídeo mostra, em um primeiro momento, a entrada do carro vermelho no portão da residência às 20h34 do dia 24. O automóvel permanece no local por cerca de oito minutos e vai embora. (veja acima)
Uma hora depois, o veículo branco de Silvana entra na mesma área, mas não é visto saindo.
Mais tarde, por volta de 23h30, o Fox retorna, permanece por aproximadamente 12 minutos e, então, deixa o local.
Câmera registra movimentação de veículos na casa de família desaparecida no RS — Foto: Imagens cedidas
Material genético
Outra conclusão da perícia é de que o material genético encontrado na casa de Silvana é de um homem e de uma mulher, ainda não identificados. O do homem foi coletado no pátio e o da mulher, na pia do banheiro.
A análise busca confirmar o DNA e ver se é de alguém de fora ou dos próprios desaparecidos.
PM prestou novo depoimento
Família desaparecida no RS: mesmo carro entrou duas vezes na casa
De acordo com a defesa, Cristiano ficou em silêncio. O depoimento durou cerca de 1h30.
O advogado Jeverson Barcellos afirma que ele tem colaborado com as investigações e que as provas até agora são circunstanciais.
O que se sabe sobre o caso da família desaparecida no RS
Relembre o caso
Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar — Foto: Imagens cedidas/Polícia Civil
O g1 montou a linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação. Confira:
- 2 de janeiro: Silvana Germann de Aguiar solicita, em um grupo de mensagens, o contato do Conselho Tutelar;
- 9 de janeiro: Silvana comparece ao Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal.
A reportagem procurou Jeverson Barcellos, advogado de Cristiano, e aguarda posicionamento.
O fim de semana dos desaparecimentos
- 24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento.
Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro:
– 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana, e sai oito minutos depois;
– 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa;
– 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora. - 25 de janeiro (domingo):
– Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada;
– Segundo a Polícia Civil, após saírem da delegacia, os idosos seguiram para a residência do ex-genro, Cristiano. Em depoimento prestado inicialmente como testemunha, o policial afirmou que o casal teria pedido ajuda para procurar Silvana, já que ele é policial militar. Ele teria dito que estava preparando o almoço e que auxiliaria mais tarde;
– Ainda conforme a investigação, após a visita, os idosos teriam retornado para casa e, horas depois, teriam sido vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado, de cor desconhecida. Desde então, não foram mais vistos;
– O telefone fixo de Isail e Dalmira recebeu uma ligação originada do celular de Silvana. Como ela já era considerada desaparecida, a polícia investiga isso como uma estratégia para criar a impressão de que ela estaria viajando e, assim, atrasar o início das buscas.
Mercado da família Aguiar — Foto: Reprodução/RBS TV
- 27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos;
- 28 de janeiro:
– Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações;
– Câmeras de segurança registraram o PM dentro da casa dos sogros. Ele foi visto entrando e saindo do local carregando mochilas. Ao ser questionado por vizinhos, ele teria alegado que Silvana sofrera um acidente e que ele estava lá para buscar ração para os animais de estimação; - 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal;
- 3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos;
- 4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate.
“Encontraram vestígios diversos de material genético, além de impressões digitais (…) Sangue também. Todos esses vestígios foram devidamente colhidos por eles e agora seguem para análise no laboratório do IGP”, explica o delegado Anderson Spier, que está à frente da investigação.
Em áudio, PM suspeito de matar família no RS pergunta sobre investigação
Infográfico: pais e filha desaparecem em Cachoeirinha — Foto: Arte/g1