Segundo o delegado Mario Souza, o homem “é extremamente educado, frio e aparentemente muito inteligente“. As provas obtidas pela polícia apontam que foi ele quem cometeu o assassinato da vítima, que era namorada dele, razão pela qual o caso é tratado como feminicídio. Em relação à motivação, ele teria cometido o crime “com a intenção de afrontar a sociedade”. A identidade da vítima não foi divulgada.
“Este homem não pode estar em condições de convívio na sociedade. É uma pessoa que tem capacidade de cometer crimes altíssima”, afirma o delegado Souza.
Segundo a Polícia Civil, ele ainda não prestou depoimento oficial após a prisão. O g1 tenta contato com a defesa de Jardim.
A Polícia Civil ainda afirma que o crime teria motivações financeiras, já que teria tentado utilizar cartões de crédito da vítima, e tentado movimentar contas bancárias dela.
Condenação por matar e concretar a mãe
Na ocasião, o publicitário foi considerado culpado por três crimes: homicídio duplamente qualificado (motivo torpe ou meio cruel), ocultação de cadáver e posse de arma. Na ocasião, ele negou ter matado a mãe, assumindo apenas que escondeu o corpo.
Da pena, 27 anos deveriam ser cumpridos em regime de reclusão, ou seja, na prisão. E um ano em regime de detenção, em regime aberto ou semiaberto.
Segundo a Polícia Civil, ele conseguiu progressão de regime, mas atualmente estava foragido.
Caso do corpo em mala: publicitário Ricardo Jardim foi preso nesta sexta-feira — Foto: Ronaldo Bernardi/Agência RBS
Torso dentro de mala na rodoviária
Na quinta-feira (4), a Polícia divulgou imagens do homem registradas por uma câmera de segurança da rodoviária.
Confira, abaixo, o que se sabe sobre o caso:
1. Quem é o suspeito
O nome do suspeito é Ricardo Jardim, de 65 anos e ele é descrito pela Polícia Civil como um “psicopata”.
As investigações indicam que ele criava perfis falsos na internet usando imagens de um jovem, criada via Inteligência Artificial (IA), para atrair mulheres.
2. Vítima e motivação do crime
A vítima é uma mulher com cerca de 50 anos, mas a identidade dela não foi divulgada. Ela era namorada do homem preso, segundo a Polícia Civil.
Em relação à motivação, ele teria cometido o crime “com a intenção de afrontar a sociedade”.
“Afrontar o estado, afrontar a polícia”, diz o delegado Souza.
3. Dinâmica do crime
Dinâmica do crime — Foto: Polícia Civil/Divulgação
De acordo com a Polícia Civil, as ações foram pensadas para ocorrer com sete dias de diferença entre uma e outra.
“Primeiro, em um lugar ermo. Depois, em um dos lugares mais movimentados do estado”, diz o delegado Souza.
Para o delegado, essa atitude indica que o autor “quis aparecer, embora tenha tomado muitos cuidados”.
“Ele poderia ter sido abordado, por exemplo, porque não é normal uma pessoa estar assim na rua. Então, ele tomou medidas, mas, de certa forma, ele se expôs“, afirmou o delegado.
Além disso, a polícia sinaliza que o homem deixou pistas falsas no guarda-volumes, dentro da mala e há suspeita de que tenha feito denúncias falsas para a polícia.
“Parecia que ele estava querendo controlar os atos do estado, os atos da polícia. Parecia que ele queria estar um passo a frente da polícia”, explica o delegado Souza.
Após deixar a mala na rodoviária, ele teria ido para a Zona Norte de Porto Alegre, onde foi até um estabelecimento comercial e, então, para uma pousada.
O suspeito foi identificado a partir de imagens de uma câmera de segurança do estabelecimento comercial. Em certo momento da gravação, ele é visto abaixando a máscara que usava e que aparecia vestindo no vídeo registrado na rodoviária da capital.
4. Localização do crânio da vítima
A polícia acredita que havia a possibilidade de um terceiro ato, dessa vez envolvendo o crânio da vítima, que ainda não foi localizado. O suspeito também não informou onde ele está.
5. Data do homicídio
O assassinato da vítima aconteceu em 9 de agosto. A polícia investiga se houve coautores.
“A participação dele, como teria sido, se foi só levar a mala, se matou, se tem mais pessoas que poderiam ter auxiliado, isso tudo está sendo apurado”, afirmou o delegado.
6. Mala ficou 12 dias na rodoviária
De acordo com Henrique Zamora Rodrigues, supervisor do setor, a bagagem foi sinalizada para que apenas uma outra pessoa pudesse retirá-la.
A Polícia Civil está apurando a relação do destinatário com o caso. O CPF e o nome colocados na mala estão sob sigilo. Os funcionários da rodoviária teriam acionado a polícia após sentirem cheiro forte no local.
“Agora no fim de semana, por causa do calor, começou a exalar cheiro ali dentro, e hoje estava insuportável. Tentei contato com os dados que tinham passado, mas não consegui nenhum contato, até para poder descartar”, conta Henrique Zamora Rodrigues, supervisor do setor de guarda volumes da rodoviária.
Rodrigues conta que a mala foi levada para um local de descarte de lixo por conta do cheiro:
“Fomos abrir, quebrei o cadeado, estava com vários sacos plásticos preto e vimos um tronco, que não era de animal, e acionamos a polícia na hora. Retiraram o corpo e o cheiro segue ali no ar”, diz.
Homem deixou mala com o tórax de uma mulher no guarda-volumes da rodoviária de Porto Alegre — Foto: Divulgação/Polícia Civil
Polícia divulga imagens de suspeito de deixar mala com parte de corpo em rodoviária