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O fato ocorreu no dia 29 de março, em um prédio alugado para o evento itinerante “Plano After”, na Rua Voluntários da Pátria, no bairro Navegantes, e foi tornado público nesta sexta-feira (10) após publicações nas redes sociais.
A ocorrência foi atendida pela Brigada Militar (BM). Os policiais entenderam que o caso era uma lesão corporal leve e registraram um termo circunstanciado (procedimento adotado em casos de menor potencial ofensivo).
A vítima foi levada a um hospital pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), e a segurança retornou para o interior da festa para trabalhar.
“Tá sendo muito difícil me recompor. Não consegui sair desde então, não tenho conseguido dormir, e também o medo disso acontecer de novo, de encontrar essa pessoa na rua”, relatou Amanda.
Segundo um amigo que acompanhava a produtora cultural, o grupo havia chegado naquele momento no evento, mas a segurança afirmava que eles estavam tentando retornar. Amanda conta que enquanto tentava conversar com a equipe para esclarecer a situação, ela teria sido derrubada por um homem membro da equipe de segurança. Ela diz que desmaiou e que recobrou a consciência já sendo estrangulada.
“Eu já acordei com ela com a mão no meu pescoço. Eu já estava imobilizada, sem conseguir respirar”, contou.
Produtora cultural é agredida por segurança de festa em Porto Alegre — Foto: Reprodução/RBS TV
Relatos e versões
Em nota, a BM afirma que as partes foram identificadas e se comprometeram a comparecer à Justiça quando convocadas. A corporação também afirmou que o registro de agressão foi feito com base no relato da solicitante. Leia a íntegra abaixo
A vítima alega que mostrou o vídeo aos policiais no local, mas diz que não houve encaminhamento da suposta agressora à delegacia. A BM não respondeu sobre a alegação de que o vídeo foi mostrado.
A Polícia Civil informa que não instaurou inquérito, já que a ocorrência foi registrada como um termo circunstanciado. Em casos assim, o documento é encaminhado da Brigada Militar para o Juizado Especial Criminal, que avalia se o caso pode até mesmo ser devolvido para investigação. O Tribunal de Justiça afirma que necessita ter mais informações para atualizar o andamento do caso.
O advogado da vítima, Gustavo Nagelstein, diz que há dificuldade em contatar a agressora e a empresa responsável pela segurança. No entendimento dele, o caso é mais grave do que o inicialmente registrado.
“Aquilo pode caracterizar, inclusive, uma tentativa de homicídio”, avaliou.
A produtora responsável pelo evento, Coletivo Plano, sustenta que iniciou uma revisão interna dos procedimentos. Disse ainda que a equipe de segurança era terceirizada, contratada pela primeira vez, e que a parceria foi encerrada. Leia a íntegra ao final do texto
Já a empresa responsável pela segurança, GW Eventos e Staff, teria apagado perfis em redes sociais. Os contatos disponíveis não responderam até a mais recente atualização desta reportagem.
O dono do prédio, Cassius Barcellos, disse que apenas alugou o espaço e está à disposição da vítima e das autoridades “para o que for necessário”.
Posição da BM sobre agressão de segurança a produtora cultural em evento — Foto: Reprodução/RBS TV
Nota da Brigada Militar
PORTO ALEGRE – Comando de Policia da Capital/9º Batalhão de Polícia Militar
A Brigada Militar de Porto Alegre, na madrugada deste sábado (29/03), atendeu uma ocorrência de lesão corporal em estabelecimento no Centro Histórico de Porto Alegre.
Durante a ação, policiais militares do 9º BPM foram acionados via Centro de operações da Policia Militar (COPOM) para averiguar um desentendimento entre frequentadores e a equipe de segurança de evento realizado no local.
Na chegada da guarnição, a situação já havia sido controlada, não sendo presenciado o momento das agressões. As partes envolvidas e testemunhas foram devidamente identificadas e qualificadas.
Foi confeccionado Termo Circunstanciado em desfavor dos envolvidos, e a ocorrência foi devidamente repassada à Polícia Civil, que dará prosseguimento aos procedimentos legais cabíveis.
Nota do Coletivo Plano
“Desde o episódio ocorrido durante a festa Plano After, no último sábado, 28 de março, a Plano iniciou uma revisão interna de seus processos.
O vídeo divulgado nesta semana evidencia a gravidade do ocorrido.
O caso está sob responsabilidade das autoridades competentes, e o que aconteceu não condiz com o padrão de segurança e cuidado que a Plano estabelece para seus eventos.
A segurança do evento estava sob responsabilidade de uma empresa terceirizada que foi contratada pela primeira vez para atuar na segurança da Plano. A relação com essa empresa foi encerrada.
A Plano reforça que situações como essa demandam atuação imediata e eficiente e, por isso, vem avançando na qualificação de seus processos e protocolos.
A partir desse episódio, a Plano implementa mudanças diretas em sua operação:
- Revisão completa dos protocolos de segurança
- Novos critérios para contratação de equipes terceirizadas
- Exigência ampliada de profissionais capacitados para atendimento emergencial
- Realização de treinamentos específicos para situações críticas
- Criação de pontos estruturados de acolhimento ao público
- Apresentação pública da nova empresa de segurança com antecedência e registro dos treinamentos realizados
Nos próximos dias, a Plano dará transparência às novas diretrizes adotadas, incluindo a apresentação de seus protocolos atualizados, formatos de treinamento e critérios de atuação das equipes de segurança nos próximos eventos.
A Plano reafirma seu compromisso com a segurança, com o cuidado e com a responsabilidade na realização de seus eventos.
As medidas entram em vigor imediatamente.
Atenciosamente,
Coletivo Plano