Réu por matar personal trainer e deixar corpo na calçada vai a júri nesta sexta no RS

Réu por matar personal trainer e deixar corpo na calçada vai a júri nesta sexta no RS

Conforme o TJ, será realizado sorteio de novos jurados e a intimação de testemunhas. Seis testemunhas devem ser ouvidas – três de acusação e três de defesa. Estão previstos ainda o depoimento de um perito e o interrogatório do réu.

No final do julgamento, o Conselho de Sentença decidiria se Gunsch será condenado ou absolvido.

A acusação

Gunsch é acusado de homicídio qualificado por feminicídio (cometido contra mulher em contexto de violência doméstica e familiar), motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público (MP), o réu teria cometido o crime de forma premeditada. A motivação seria “a irresignação com o término do relacionamento”.

“O fato do homem ter colocado o corpo da vítima na frente da casa de familiares causou um abalo moral, psicológico e emocional aos pais dela”, observa o promotor de Justiça Paulo Eduardo de Almeida Vieira, responsável pela denúncia.

Relembre o caso

Conforme o MP, Gunsch cometeu o crime na residência do casal, por volta das 3h do dia 26 de janeiro, de forma premeditada, por esganadura, ao levantar Débora do chão até que ela desfalecesse.

Logo depois, Gunsch teria abandonado o corpo em frente à casa dos pais de Débora, enrolada em um cobertor. A certidão de óbito atestou que a causa da morte foi asfixia mecânica.

O homem foi preso preventivamente dois dias após o crime. À polícia, ele teria confessado, dizendo que os dois começaram a discutir em casa, mas que a discussão acabou virando uma briga com mútuas agressões.

Segundo a investigação, Gunsch contou ter jogado a companheira contra um móvel. Ela teria perdido a consciência. Na sequência, ele teria levado a mulher para receber atendimento médico, mas, ao perceber que estava sem sinais vitais, teria decidido deixá-la numa calçada, em frente à casa dos pais dela.

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Quem era a personal trainer

Débora tinha um perfil voltado a dicas de exercícios e temas afins nas redes sociais. Ela era licenciada e bacharela em Educação Física, com especialização em musculação, ritmos, cross training, entre outros. Débora atuava desde 2011 como profissional do ramo.

“‘Vai seguir tua vida’, eu falei para ele. ‘Pode arrumar uma companheira que vai te entender’, e ele, ‘não, perfeitamente’, ele me dizia, ‘perfeitamente, é isso aí mesmo que eu quero, já tô dando um jeito'”, disse Silva.

O pai de Débora contou que a filha já estava com suas coisas todas encaixotadas para a mudança, e que ele pretendia buscá-la – plano que foi interrompido.

“Nós íamos lá para pegar no outro dia de manhã [as coisas]. [O acusado] me joga ela morta na frente de casa. Às quatro horas da manhã. Coisa de um animal. Um cara que não pode ficar solto. Não pode, não pode, não pode. Pode pegar uma outra menina, iludir, ludibriar e de repente fazer a mesma coisa”, afirmou o pai da vítima, na época.

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A defesa de Alexsandro Gunsch, recentemente constituída, informa que assumiu o caso na sexta-feira passada e se encontra em fase de análise aprofundada dos autos e das provas. Como é de conhecimento público, trata-se de um processo complexo, que demanda estudo minucioso e cauteloso para que possamos atuar com a técnica e o comprometimento que o caso exige.

Nosso compromisso é garantir que a ampla defesa e o contraditório sejam plenamente respeitados, assegurando que todas as circunstâncias dos fatos sejam devidamente analisadas no Tribunal do Júri, sem nenhuma forma de prejulgamento. Para tanto, entendemos que o local legítimo, adequado e competente para discussão de provas é o processo. Por isso, nossas manifestações ocorrerão exclusivamente nos autos, até mesmo por lealdade aos jurados, que serão instigados a analisar elementos inéditos que só os autos revelam.

Confiamos na seriedade do Poder Judiciário e reafirmamos que nosso trabalho será pautado pelo respeito às instituições, às partes e seus familiares, bem como pela demonstração da verdade, com a observância rigorosa das garantias constitucionais.

Ezequiel Vetoretti
Rodrigo Grecellé Vares
Eduardo Vetoretti
Advogados de Defesa”

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