Índice
Segundo o delegado João Vitor Heredia, da Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DRCPE) do Rio Grande do Sul, o suspeito preso em Dourados é investigado por integrar o núcleo tecnológico da organização. Até a última atualização desta reportagem, 16 pessoas haviam sido presas em cidades de Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná, São Paulo e do estado gaúcho.
“Ele teria atuado na criação de sites falsos, administração de domínios e servidores e produção de vídeos manipulados com inteligência artificial e deepfake”, afirmou o delegado.
🔍 O que é deepfake? Deepfake é uma técnica que usa inteligência artificial (IA) para alterar vídeos, fotos ou áudios, criando conteúdos que parecem reais.
O delegado informou ainda que o investigado estaria vinculado a uma conta compartilhada por vários integrantes do grupo e teria recebido valores do principal núcleo financeiro da organização.
A Operação Sophia cumpre 19 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão. As ordens judiciais são cumpridas no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco.
Suspeito forjava vaquinhas para aplicar golpe nas redes sociais. — Foto: PCRS/Reprodução
Núcleo digital
Segundo a polícia, os suspeitos tinham funções específicas. Eles criavam e hospedavam sites falsos, registravam domínios e configuravam servidores. Também produziam páginas de pagamento e QR Codes Pix, além de vídeos, áudios e anúncios fraudulentos.
Conforme a investigação, o grupo usava ferramentas de inteligência artificial, deepfake e clonagem de voz para tornar os golpes mais convincentes. Os suspeitos ainda compravam e administravam contas no Facebook e no Instagram, impulsionavam anúncios falsos e utilizavam recursos para ocultar a identidade e dificultar o rastreamento.
Durante a investigação, a polícia identificou ferramentas usadas para manipular áudios e vídeos, sincronizar movimentos labiais, criar avatares, clonar vozes, remover metadados e esconder páginas fraudulentas.
A investigação também encontrou indícios de que o grupo buscava novas vítimas em situação de vulnerabilidade, principalmente crianças com doenças graves. Segundo a polícia, isso indica que o esquema era contínuo e atuava de forma organizada.
A investigação começou após a mãe de uma menina em tratamento contra o câncer, chamada Sophia, denunciar que fotos e vídeos da filha estavam sendo usados sem autorização. O material aparecia em anúncios patrocinados no Facebook e no Instagram para arrecadar dinheiro, mas a família nunca recebeu os valores.
Segundo o delegado, o grupo usava inteligência artificial, deepfake e clonagem de voz para modificar campanhas verdadeiras e dar aparência de autenticidade aos anúncios. As publicações eram feitas por páginas falsas com nomes como “Clube de Doadores” e “Unidos pelo Amor”.
Ao clicar nos anúncios, as vítimas eram direcionadas para sites que imitavam plataformas de arrecadação, como o Vakinha. Nessas páginas, era gerado um código Pix, e o dinheiro era transferido para contas de empresas de fachada controladas pelo grupo.
Apenas na campanha falsa que usava a imagem da menina que deu nome à operação, a polícia identificou o desvio de R$ 294,5 mil. A investigação também apontou uma empresa que funcionava como núcleo financeiro da organização e movimentou mais de R$ 1,7 milhão durante o período investigado.
A Polícia Civil orienta que a população confirme a veracidade de campanhas de arrecadação antes de fazer qualquer doação. A recomendação é verificar as informações diretamente com a família ou instituição responsável e conferir se o nome do destinatário do Pix corresponde ao beneficiário da campanha.