‘Temos elementos para indiciá-lo’, diz delegado sobre único suspeito do desaparecimento da família Aguiar, no RS

‘Temos elementos para indiciá-lo’, diz delegado sobre único suspeito do desaparecimento da família Aguiar, no RS

“Já temos elementos para indiciá-lo, com certeza. Não podemos dizer agora que o inquérito será concluído, porque […] o Ministério Público precisa ter subsídios para propor uma ação penal, para que isso vire um processo judicial”, explica o delegado responsável pelo caso, Anderson Spier.

À reportagem, a defesa de Cristiano informou não ter tido acesso ao inquérito.

A polícia já ouviu mais de 30 pessoas. Segundo o delegado, Cristiano é o único suspeito, já que “contra ele existem até agora provas e indícios da participação”. No entanto, a investigação não descarta que outras pessoas tenham auxiliado ou colaborado de alguma forma com o sumiço.

Além disso, a Polícia Civil informou que deverá pedir a prorrogação da prisão temporária do principal suspeito por mais 30 dias.

Com as apurações, as autoridades praticamente descartam encontrar a família com vida.

“O trabalho de localização é feito independente da remessa do inquérito. Inclusive, nós podemos remeter, continuar fazer as diligências”, explica Spier. “O trabalho da busca deve postergar, inclusive, ainda depois da remessa do inquérito”, diz, complementando que novos elementos podem transformar a prisão temporária do suspeito em prisão preventiva.

Relembre o caso

Um mês do desaparecimento da família Aguiar, em Cachoeirinha (RS)

O g1 montou a linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação. Confira:

  • 2 de janeiro: Silvana Germann de Aguiar solicita, em um grupo de mensagens, o contato do Conselho Tutelar;
  • 9 de janeiro: Silvana comparece ao Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal.
    A reportagem procurou Jeverson Barcellos, advogado de Cristiano, e aguarda posicionamento.

O fim de semana dos desaparecimentos

  • 24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento.
    Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro:
    – 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana, e sai oito minutos depois;
    – 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa;
    – 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora.
  • 25 de janeiro (domingo):
    – Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada;
    – Segundo a Polícia Civil, após saírem da delegacia, os idosos seguiram para a residência do ex-genro, Cristiano. Em depoimento prestado inicialmente como testemunha, o policial afirmou que o casal teria pedido ajuda para procurar Silvana, já que ele é policial militar. Ele teria dito que estava preparando o almoço e que auxiliaria mais tarde;
    – Ainda conforme a investigação, após a visita, os idosos teriam retornado para casa e, horas depois, teriam sido vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado, de cor desconhecida. Desde então, não foram mais vistos.

Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar — Foto: Imagens cedidas/Polícia Civil

  • 27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos;
  • 28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações;
  • 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal;
  • 3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos;
  • 4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate.

“Encontraram vestígios diversos de material genético, além de impressões digitais (…) Sangue também. Todos esses vestígios foram devidamente colhidos por eles e agora seguem para análise no laboratório do IGP”, explica o delegado Anderson Spier, que está à frente da investigação.

Em áudio, PM suspeito de matar família no RS pergunta sobre investigação

Infográfico: pais e filha desaparecem em Cachoeirinha — Foto: Arte/g1

VÍDEOS: Tudo sobre o RS

Related posts

AO VIVO: PM e mais cinco pessoas são indiciadas em caso da Família Aguiar; ASSISTA

RS confirma primeira morte por dengue em 2026

Família Aguiar: PM indiciado criou áudio falso com IA para enganar ex-sogros após sumiço da ex-mulher, diz polícia