Queda de avião em Gramado: investigação sobre acidente que matou 11 completa um ano sem conclusões

Queda de avião em Gramado: investigação sobre acidente que matou 11 completa um ano sem conclusões

Um ano depois, a apuração ainda não chegou a conclusão sobre quais fatores podem ter provocado o acidente. “Até o presente momento, aproximadamente 50% da investigação foi desenvolvida”, diz o Cenipa.

Conforme o órgão, a coleta de dados referentes aos componentes e aos sistemas da aeronave está em desenvolvimento. São examinadas ainda questões de segurança relacionadas à operação, manutenção e reparos do avião.

A complexidade do caso exigiu a formação de uma equipe multidisciplinar, composta por especialistas em fatores operacionais (pilotos e mecânicos), fatores humanos (médicos e psicólogos) e fatores materiais (engenheiros aeronáuticos e mecânicos).

A Polícia Civil instaurou inquérito e tramita uma investigação em paralelo. De acordo com o delegado regional Gustavo Barcellos, é aguardado o laudo do Cenipa para conclusão do inquérito.

“O motor está sendo enviado para os Estados Unidos, lá será aberto e examinado pela empresa responsável, em fevereiro. Depois disso, com os laudos finais do Cenipa, a investigação será concluída”, disse Barcellos ao g1 nesta segunda-feira (22).

Destroços de avião que caiu em Gramado — Foto: Reprodução/RBS TV

O que diz o relatório preliminar

➡️ A primeira delas foi classificada como voo controlado contra o terreno (CFIT, na sigla em inglês), também conhecido como “Controlled Flight Into Terrain”. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) explica que o CFIT acontece quando uma aeronave, apesar de ter seus sistemas e equipamentos funcionando e estando sob o controle do piloto, colide com o solo, água ou algum obstáculo.

De acordo com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), da Força Aérea Brasileira, esse tipo de acidente pode ser causado por uma falha do piloto, que não consegue perceber corretamente a posição da aeronave em relação ao solo ou obstáculos.

➡️ A segunda causa identificada foi a perda de controle em voo (LOC-I, na sigla em inglês), conhecida como “Loss of Control in-Flight”, que se caracteriza por uma mudança extrema na trajetória da aeronave.

Segundo Gerardo Portela, engenheiro especialista em risco e segurança, o acidente foi causado pela intensa cerração que atingia a área no momento.

VÍDEO mostra momento da queda de avião em Gramado por outro ângulo

Relembre o acidente

O avião tinha como destino Jundiaí (SP) e era pilotado pelo empresário Luiz Cláudio Galeazzi. Ele e os demais ocupantes não sobreviveram.

De acordo com a investigação, no meio do percurso, o avião bateu contra a chaminé de um prédio. Na sequência, a aeronave acertou o segundo andar de uma residência e, então, caiu sobre uma loja de móveis.

Os destroços ainda alcançaram uma pousada, onde duas pessoas ficaram gravemente feridas com queimaduras. Uma delas, a camareira do estabelecimento, identificada como Lizabel de Moura Pereira, morreu três meses depois de ficar internada. Lizabel teve 43% do corpo queimado no acidente.

A outra pessoa que também estava na pousada e precisou ser hospitalizada recebeu alta em fevereiro. Valdete Maristela Santos da Silva chegou ao hospital com queimaduras de 2º e 3º graus em 30% do corpo.

Luiz Galeazzi — Foto: Reprodução/Galeazzi & Associados

Quem era o empresário que pilotava o avião

A empresa foi fundada pelo pai dele, Cláudio Galeazzi, que morreu de câncer em 2023. Luiz Cláudio viajava com a mulher, três filhas, a irmã, o cunhado, a sogra e duas crianças.

Em 2010, ele perdeu a mãe, Maria Leonor Salgueiro Galeazzi, também num acidente aéreo. O avião bimotor em que ela estava caiu na região de Sorocaba, interior de São Paulo.

Segundo informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o bimotor estava registrado no nome de Luiz Cláudio.

Relatório aponta que falha do piloto pode ser causa de queda de avião em Gramado

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