Um ano depois, a apuração ainda não chegou a conclusão sobre quais fatores podem ter provocado o acidente. “Até o presente momento, aproximadamente 50% da investigação foi desenvolvida”, diz o Cenipa.
Conforme o órgão, a coleta de dados referentes aos componentes e aos sistemas da aeronave está em desenvolvimento. São examinadas ainda questões de segurança relacionadas à operação, manutenção e reparos do avião.
A complexidade do caso exigiu a formação de uma equipe multidisciplinar, composta por especialistas em fatores operacionais (pilotos e mecânicos), fatores humanos (médicos e psicólogos) e fatores materiais (engenheiros aeronáuticos e mecânicos).
A Polícia Civil instaurou inquérito e tramita uma investigação em paralelo. De acordo com o delegado regional Gustavo Barcellos, é aguardado o laudo do Cenipa para conclusão do inquérito.
“O motor está sendo enviado para os Estados Unidos, lá será aberto e examinado pela empresa responsável, em fevereiro. Depois disso, com os laudos finais do Cenipa, a investigação será concluída”, disse Barcellos ao g1 nesta segunda-feira (22).
Destroços de avião que caiu em Gramado — Foto: Reprodução/RBS TV
O que diz o relatório preliminar
➡️ A primeira delas foi classificada como voo controlado contra o terreno (CFIT, na sigla em inglês), também conhecido como “Controlled Flight Into Terrain”. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) explica que o CFIT acontece quando uma aeronave, apesar de ter seus sistemas e equipamentos funcionando e estando sob o controle do piloto, colide com o solo, água ou algum obstáculo.
De acordo com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), da Força Aérea Brasileira, esse tipo de acidente pode ser causado por uma falha do piloto, que não consegue perceber corretamente a posição da aeronave em relação ao solo ou obstáculos.
➡️ A segunda causa identificada foi a perda de controle em voo (LOC-I, na sigla em inglês), conhecida como “Loss of Control in-Flight”, que se caracteriza por uma mudança extrema na trajetória da aeronave.
Segundo Gerardo Portela, engenheiro especialista em risco e segurança, o acidente foi causado pela intensa cerração que atingia a área no momento.
VÍDEO mostra momento da queda de avião em Gramado por outro ângulo
Relembre o acidente
O avião tinha como destino Jundiaí (SP) e era pilotado pelo empresário Luiz Cláudio Galeazzi. Ele e os demais ocupantes não sobreviveram.
De acordo com a investigação, no meio do percurso, o avião bateu contra a chaminé de um prédio. Na sequência, a aeronave acertou o segundo andar de uma residência e, então, caiu sobre uma loja de móveis.
Os destroços ainda alcançaram uma pousada, onde duas pessoas ficaram gravemente feridas com queimaduras. Uma delas, a camareira do estabelecimento, identificada como Lizabel de Moura Pereira, morreu três meses depois de ficar internada. Lizabel teve 43% do corpo queimado no acidente.
A outra pessoa que também estava na pousada e precisou ser hospitalizada recebeu alta em fevereiro. Valdete Maristela Santos da Silva chegou ao hospital com queimaduras de 2º e 3º graus em 30% do corpo.
Luiz Galeazzi — Foto: Reprodução/Galeazzi & Associados
Quem era o empresário que pilotava o avião
A empresa foi fundada pelo pai dele, Cláudio Galeazzi, que morreu de câncer em 2023. Luiz Cláudio viajava com a mulher, três filhas, a irmã, o cunhado, a sogra e duas crianças.
Em 2010, ele perdeu a mãe, Maria Leonor Salgueiro Galeazzi, também num acidente aéreo. O avião bimotor em que ela estava caiu na região de Sorocaba, interior de São Paulo.
Segundo informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o bimotor estava registrado no nome de Luiz Cláudio.
Relatório aponta que falha do piloto pode ser causa de queda de avião em Gramado