‘Sem chão’, diz mãe que teve 4 filhos mortos ao depor em júri de pai acusado: saiba como foi o primeiro dia

‘Sem chão’, diz mãe que teve 4 filhos mortos ao depor em júri de pai acusado: saiba como foi o primeiro dia

As vítimas são os irmãos Yasmin, de 11 anos; Donavan, de 8 anos; Giovanna, de 6 anos; e Kimberlly, de 3 anos. Três foram encontradas com marcas de facadas e uma com asfixia.

A sessão será retomada nesta quarta-feira (14), a partir das 9h, com a sequência dos depoimentos. O Tribunal do Júri é presidido pelo Juiz de Direito Marcos Henrique Reichelt, da 1ª Vara Criminal Especializada em Júri da Comarca de Alvorada.

Ainda serão ouvidas duas testemunhas e uma perita, além do interrogatório do réu. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), a previsão é de que o julgamento tenha três dias de duração. O Conselho de Sentença é formado por quatro juradas e três jurados.

O acusado está preso provisoriamente. A reportagem entrou em contato com a defesa, que afirma que “os trabalhos transcorreram dentro do que se esperava”.

Suspeito preso por morte dos quatro filhos em Alvorada — Foto: Reprodução/RBS TV

Saiba como foi primeiro dia de júri

A acusação diz que “o crime foi motivado pela não aceitação do término de relacionamento com a ex-companheira, mãe das vítimas”, expõe a Justiça.

Thays começou o depoimento contando sobre os 11 anos de relacionamento com o acusado. Ela confirmou que ele era muito possessivo e ciumento.

A gota d’água veio três meses antes do crime, quando, segundo contou, teria sofrido uma agressão física. Em seguida, Thays conseguiu uma medida protetiva, mas os dois voltaram a se encontrar.

“Fiz isso por medo”, relembra.

Ao relatar o fim de semana em que os filhos foram para a casa da avó paterna, contou que as crianças não retornaram para a casa da mãe na data combinada.

“Jamais imaginei que ele tivesse feito o que fez”, diz Thays. “Só queria que os meus filhos saíssem lá de dentro e fossem embora comigo. E não foi isso que aconteceu”, desabafa.

Thays da Silva Antunes, mãe das quatro crianças mortas, depondo em júri do pai David da Silva Lemos — Foto: Janine Souza/ DICOM/ TJRS

Ainda nesta terça-feira, foram ouvidos um Delegado de Polícia, uma Policial Civil e dois Policiais Militares envolvidos na ocorrência. À tarde, prestaram depoimento um Policial Civil, a mãe das crianças e os avós delas.

A oitiva mais detalhada do período da manhã foi a do delegado Augusto Zenon de Moura Rocha, responsável pelas investigações iniciais no dia do crime. Ele descreveu o cenário encontrado pela equipe e relatou que o acusado demonstrava não aceitar o fim do relacionamento.

Conforme o delegado, as vítimas teriam sido mortas individualmente, no momento em que eram colocadas para dormir. Ainda segundo ele, ao ser preso, o homem alegou que as mortes teriam acontecido após discussões com a ex-companheira, motivadas por ciúmes e supostas traições.

Três das crianças foram encontradas em um dos quartos, deitadas nas camas. A faca usada no crime foi localizada no local pelos policiais. A filha mais nova, a quarta vítima, foi achada em outro cômodo, com sinais de asfixia. O acusado admitiu que cometeu os crimes sozinho.

Durante a tarde, foi ouvido o avô materno, que relatou como era a convivência familiar. Disse que nunca imaginou que o ex-genro pudesse ferir as crianças — acreditava que uma atitude violenta poderia ser dirigida à ex-companheira, mas não aos filhos.

A avó paterna, mãe do réu, também prestou depoimento, mas pediu sem a presença do público.

Os irmãos mortos em Alvorada: Yasmin, de 11 anos; Donavan, de 8 anos; Giovanna, de 6 anos; e Kimberlly, de 3 anos. — Foto: Arquivo pessoal

Motivo torpe, diz MP

Conforme denúncia apresentada pelo Ministério Público (MP), o acusado teria praticado os crimes contra menor de idade; por motivo torpe, ao utilizar a morte dos filhos como ”instrumento de sofrimento à ex-companheira”; por meio cruel, ”desferindo nas vítimas múltiplos golpes com arma branca, causando-lhes extenso sofrimento”, disse o promotor de Justiça responsável pela denúncia, Marcelo Tubino. Além de asfixia, no caso da menina de 3 anos.

O promotor acrescenta que os crimes foram praticados contra menores de 14 anos e contra mulher, por razões da condição do sexo feminino no âmbito de violência familiar, já que três das vítimas eram meninas.

Relembre o caso

Mapa mostra o local onde o crime ocorreu e onde o suspeito foi preso — Foto: Arte/g1

As crianças foram encontradas mortas na casa onde estavam com o pai em Alvorada por volta das 19h30, de 13 de dezembro de 2022, quando familiares acionaram a polícia. David da Silva Lemos já havia deixado o local, mas foi encontrado no dia seguinte, em um hotel na capital.

Segundo a polícia, ao ser preso, o homem disse que cometeu o crime e que deu calmante às crianças antes da morte. No entanto, na delegacia, durante o depoimento e acompanhado de um defensor público, permaneceu em silêncio.

Casa onde quatro crianças foram encontradas mortas em Alvorada — Foto: Divulgação/IGP

A avó materna das quatro crianças relatou à reportagem da RBS TV que o acusado já havia agredido a mãe das crianças e que acreditava que ele tenha cometido os crimes para atingi-la.

A mãe das crianças e David tiveram um relacionamento por 11 anos. Eles haviam se separado há cerca de três meses na época do crime. O rompimento foi motivado por uma agressão. Ela registrou um boletim de ocorrência e conseguiu medida protetiva contra o homem.

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