A delegada responsável pela investigação, Luana Medeiros, informou que, a partir desta terça-feira (14), começarão a ser ouvidos representantes dos órgãos que acompanharam a família, entre eles conselheiros tutelares, assistentes sociais e profissionais da unidade de saúde onde as crianças eram atendidas.
Segundo a delegada, o objetivo é verificar se eventuais falhas no atendimento configuram crime. Um relatório da própria rede de proteção do município, obtido pela RBSTV, aponta que apenas uma visita foi realizada à casa da família, embora já existissem suspeitas de agressões desde novembro de 2025.
“Nós vamos analisar todos os depoimentos de todo mundo que atendeu essas crianças na rede de proteção para entender se houve, de fato, alguma falha criminosa ou não”, afirmou Luana Medeiros.
A investigação também deve ouvir representantes dos conselhos tutelares das outras cidades por onde a família passou. Em Palmitos (SC) e em Águas de Lindóia (SP), a guarda das crianças chegou a ser retirada dos pais após suspeitas de agressões.
“Sobre os demais conselhos tutelares, a gente já fez um ofício para solicitar informações sobre o que foi feito nesses outros estados. Fizemos ofícios também para os hospitais para entender todos os atendimentos que as crianças já receberam”, concluiu a delegada.
Irmãos de menino seguem em abrigo da rede de proteção
As crianças foram encaminhadas para o acolhimento institucional logo após a internação de Oliver. Relatórios do Conselho Tutelar enviados à Justiça na última semana apontaram que os quatro irmãos também eram vítimas de violência. Exames periciais constataram diversas lesões nas crianças, que têm entre 1 e 9 anos.
Segundo o documento, um dos meninos atribuiu marcas de mordidas pelo corpo ao pai. O menino ainda demonstrava temor em relação ao genitor e tentava impedir que os irmãos mostrassem os machucados.
“Aquilo ali é a mordida que o pai dá. Ele morde a gente”, disse a criança aos profissionais.
As irmãs de Oliver também realizaram relatos espontâneos ao Conselho Tutelar. Elas informaram que a mãe utilizava agressões físicas como forma de disciplina.
Entenda o caso
De acordo com a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, substituta na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e responsável pela investigação, o homem relatou ter desferido socos no peito e no abdômen da criança, além de ter batido a cabeça do menino contra o chão. O crime aconteceu no distrito de Águas Claras, onde a família mora.
Mãe de menino de três anos morto após ser espancado pelo pai é presa por omissão, afirma polícia — Foto: Reprodução/Redes sociais
O que diz a mulher
“NOTA TÉCNICA DA MÃE DE OLIVER
A defesa de Mayanna Angelina Rodgers está colaborando com as autoridades, permanecendo a disposição da justiça para esclarecimentos dos fatos.
Consigna que a constituinte é vítima e se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritualmente, circunstâncias estas que merecem apuração cuidadosa e técnica, sem qualquer julgamento antecipado.
A defesa confia no devido processo legal, contraditório e ampla defesa, nos termos da Constituição Federal, reafirmando que apenas a ampla instrução processual permitirá a correta apuração dos fatos.
Por respeito a memória da criança e ao sigilo das investigações não serão fornecidas outras informações.
Isabel Cochlar – OAB/RS 71.415
Juliana Braun Martins OAB/RS 103.017
André von Berg – OAB/RS 44.063″
Oliver Golden Grayson tinha 3 anos — Foto: Arquivo pessoal